“MANDE NOTÍCIAS DO MUNDO DE LÁ”: A REPRESENTAÇÃO DO INDÍGENA E DA NATUREZA DAS AMÉRICAS NA HISTORIA NATURALIS BRASILIAE ATRIBUÍDA A GEORG MARCGRAF E UM DIÁLOGO COM A EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS

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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA

Resumo

This work stems from a concern with the approach to ethnic-racial issues in science education, due to a vision of Science Education focused on social justice. Supported by Law No. 11.645 of 2008, the work focuses on themes in the History of Science that can be related to ethnic-racial issues. As one of the stages of the research, a systematic review is carried out to analyze the production of History of Science articles that portray the participation of indigenous and black people as objects of Science and as actors in Science. Based on the review, the work takes the theme of travelogue and natural history as a way to address ethnic-racial issues in Science Education through the History of Science. Our central object is the text attributed to Georg Marcgraf, the Historia Naturalis Brasiliae - considered to be the first scientific text on Brazil. We produced an analysis of the vision contained in the text about indigenous Brazilians and the nature of Brazil. In order to do this, by affiliating the text to the Cultural History of Science, we trace a path to demonstrate how travel accounts become a scientific practice of natural history. Next, we look at the cultural context in which the Natural History of Brazil text was produced. To close this presentation, we propose a reading of Marcgraf's account based on its ethnographic aspect. Finally - in dialogue with the bibliography of Science Education focused on Social Justice, decolonial references and indigenous references - I take a look at Western scientific epistemology, relating ethnic-racial issues and decolonial issues to proposals for Science Education that respect and seek to learn from different epistemologies. As a result of this debate, we understand that there is a discourse in our primary source that ends up producing the homogenization of indigenous people and the nature of the Americas, as well as the sanitized translation of indigenous knowledge and, with this, the waste of knowledge. We also concluded through our object of study that the scientific discourse was also a producer of violence. We therefore argue for Science Education that is willing to engage in dialogue with non-scientific forms of knowledge and problematize the participation of Science in the production and reinforcement of racist and Western ethnocentric discourse. Translated with DeepL.com (free version)
O presente trabalho parte de uma preocupação com a abordagem de questões étnicoraciais na educação em ciências, em virtude de uma visão de Educação em Ciências voltada para justiça social. Amparado na lei n° 11.645 do ano de 2008, o trabalho se debruça sobre as temáticas da História das Ciências que possam ser relacionadas às questões étnico-raciais. Como uma das etapas da pesquisa, uma revisão sistemática é feita para analisar a produção de artigos de História das Ciências que retratem a participação de indígenas e negros como objetos de Ciência e como atores de Ciência. A partir da revisão, o trabalho toma a temática do relato de viagem e da história natural como caminho para abordar as questões étnico-raciais na Educação em Ciências através da História da Ciência. Com isso tomamos como objeto central o texto atribuído a Georg Marcgraf, a Historia Naturalis Brasiliae – considerado o primeiro texto científico sobre o Brasil. Produzimos uma análise da visão contida no texto sobre os indígenas brasileiros e sobre a natureza do Brasil. Para isso, filiando o texto à História Cultura da Ciência, traçamos um caminho para demonstrar como os relatos de viagem tornam-se uma prática científica da história natural. Em seguida, abordamos como o contexto cultural de produção do texto de História Natural do Brasil. Ao fechar esta apresentação, propomos uma leitura do relato de Marcgraf baseado em seu aspeto etnográfico. Ao fim – em diálogo com a bibliografia de Educação em Ciências voltada para Justiça Social, referenciais decoloniais e referenciais indígenas – lanço um olhar para a epistemologia científica ocidental, relacionando as questões étnico-raciais e questões decoloniais com propostas de uma Educação em Ciências que respeitem e busquem aprender com diferentes epistemologias. Como resultados desse debate entendemos que há em nossa fonte primária um discurso que acaba por produzir a homogeneização do indígena e da natureza das Américas, assim como a tradução higienizada dos conhecimentos indígenas e, com isso, o desperdício de conhecimento. Também concluímos através do nosso objeto de estudo que o discurso científico também foi produtor de violências. Desta forma argumentamos por uma Educação em Ciências que esteja disposta ao diálogo com formas de saberes não científicas e problematize a participação das Ciências na produção e no reforço do discurso racista e etnocêntrico ocidental.

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