ENTRE ESQUERDA E DIREITA, NEGRO: POLÍTICA, FILOSOFIA E ANCESTRALIDADE NA OBRA DE JORGE BEN JOR
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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA
Resumo
This dissertation aims to suggest, from an Afro-referenced perspective, how class struggles and race struggles throughout Brazil’s recent history are not only intrinsically connected with, but principally indivisible from the Brazilian political scenario. The aim is to demonstrate that resistance strategies in the face of racism and neocolonial epistemicide occur not only in the context of direct confrontation, but also by means of permeation and infiltration, sinuosity, contradictions, dialogues and even concessions. By singling out a particular timeframe of Jorge Ben Jor’s discography - in particular, the turn from the 1960s to the 1970s -, which was strongly centered in the cultural and social-spatial of Jorge Ben Jor's discography, strongly centered on the experience of the black community in the Rio suburbs, this work will seek to demonstrate how political interests, intellectual production and cultural expressions of Brazilian blackness have always been sidelined by the dichotomous political struggle between left-wing and right-wing elites in Brazil and how this came to be the chosen modus operandi of black political agents. With this, we seek to understand this so-called “marginal” experience not solely as a result of attempts at oppression and erasure of blackness by white elites and their narcissistic pacts - a perspective that deprives the black population of action over their own participation in Brazilian politics, relegating it to a position of passivity in the face of demeaning attempts at epistemic isolation perpetrated by whiteness - but rather as a purposeful political marking, where the agendas outlined by blackness, guided by the fight against racial inequality, deliberately oppose themselves to proposals marked exclusively by ideological clashes between right and left partisans. It is from this scenario, in dialogue with the work of Afro-indigenous thinkers such as Leda Maria Martins, Antonio Bispo dos Santos, Ailton Krenak, Abdias Nascimento and the aforementioned Sueli Carneiro, among others, that this work seeks to demarcate the existence of a political identity of blackness deeply connected to the Brazilian political scenario and at the same time separated from the conception of what is or is not “politics” from the perspective of whiteness.
Esta dissertação tem por intuito aventar, a partir de uma perspectiva afrorreferenciada, como as lutas de classe e lutas de raça ao longo da história recente do Brasil estão não apenas intrinsecamente conectadas com, mas são, de fato, indivisíveis do cenário da política brasileira. Pretende-se demonstrar, a partir da pesquisa realizada, que estratégias de resistência ante ao racismo e ao epistemicídio neocolonial se dão não apenas no âmbito do confronto direto, mas perpassam também lugares de infiltração, sinuosidade, contradições, diálogos e até mesmo concessões. Ademais, a partir de um recorte temporal - em particular, a virada da década de 1960 para os anos de 1970 -, cultural e socioespacial da discografia de Jorge Ben Jor, fortemente centrada na vivência da comunidade negra do subúrbio carioca, este trabalho demonstra como os interesses políticos, a produção intelectual e as expressões culturais da negritude brasileira estiveram sempre à margem da dicotômica luta política entre as elites de esquerda e de direita no Brasil. Com isto, procura-se entender essa vivência dita “marginal” não como unicamente um fruto de tentativas de opressão e apagamento por parte das elites brancas e seus pactos narcísicos - perspectiva que tira da população negra a ação sobre sua própria participação na política brasileira, relegando-a a uma posição de passividade ante aviltantes tentativas de apartamento epistêmico perpetradas pela branquitude – e sim como uma marcação política proposital, onde as pautas delineadas pela negritude, pautadas pela luta contra a desigualdade racial, deliberadamente se contrapõem a propostas marcadas exclusivamente pelos embates ideológicos entre direita e esquerda. É a partir deste retrato, em diálogo com a obra de pensadores afro-indígenas como Leda Maria Martins, Antônio Bispo dos Santos, Ailton Krenak, Abdias Nascimento e Sueli Carneiro, entre outros, que este trabalho busca demarcar a existência de uma identidade política de negritude profundamente conectada ao cenário político brasileiro e ao mesmo tempo apartada da concepção do que é ou não é “política” a partir da perspectiva da branquidade.
Esta dissertação tem por intuito aventar, a partir de uma perspectiva afrorreferenciada, como as lutas de classe e lutas de raça ao longo da história recente do Brasil estão não apenas intrinsecamente conectadas com, mas são, de fato, indivisíveis do cenário da política brasileira. Pretende-se demonstrar, a partir da pesquisa realizada, que estratégias de resistência ante ao racismo e ao epistemicídio neocolonial se dão não apenas no âmbito do confronto direto, mas perpassam também lugares de infiltração, sinuosidade, contradições, diálogos e até mesmo concessões. Ademais, a partir de um recorte temporal - em particular, a virada da década de 1960 para os anos de 1970 -, cultural e socioespacial da discografia de Jorge Ben Jor, fortemente centrada na vivência da comunidade negra do subúrbio carioca, este trabalho demonstra como os interesses políticos, a produção intelectual e as expressões culturais da negritude brasileira estiveram sempre à margem da dicotômica luta política entre as elites de esquerda e de direita no Brasil. Com isto, procura-se entender essa vivência dita “marginal” não como unicamente um fruto de tentativas de opressão e apagamento por parte das elites brancas e seus pactos narcísicos - perspectiva que tira da população negra a ação sobre sua própria participação na política brasileira, relegando-a a uma posição de passividade ante aviltantes tentativas de apartamento epistêmico perpetradas pela branquitude – e sim como uma marcação política proposital, onde as pautas delineadas pela negritude, pautadas pela luta contra a desigualdade racial, deliberadamente se contrapõem a propostas marcadas exclusivamente pelos embates ideológicos entre direita e esquerda. É a partir deste retrato, em diálogo com a obra de pensadores afro-indígenas como Leda Maria Martins, Antônio Bispo dos Santos, Ailton Krenak, Abdias Nascimento e Sueli Carneiro, entre outros, que este trabalho busca demarcar a existência de uma identidade política de negritude profundamente conectada ao cenário político brasileiro e ao mesmo tempo apartada da concepção do que é ou não é “política” a partir da perspectiva da branquidade.
