DIVERSIDADE DA PORTA PRA DENTRO: UMA ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DE PROFISSIONAIS NEGROS E NEGRAS SOBRE AS AÇÕES DE ESG EM SEUS AMBIENTES DE TRABALHO

Carregando...
Imagem de Miniatura

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA

Resumo

The present work intends to analyze how black professionals, allocated within companies with declared diversity policies, see the adopted practices and their consequences for the internal public (employees and female employees) and external (clients and partners) as aligned or not with the discourse disseminated to the market. Starting from a theoretical concept of race and racism, to understand how these social constructions determined the roles occupied by black men and women in society, we guided the debate from the discussions proposed by Almeida (2021), Hall (1992; 2017; 2020), hooks (1989), Kilomba (2020) and Mbembe (2018)). To elucidate the historical developments, which have the whiteness and the white people as the norm, at the center of the debate, such as the processes of eugenics and the myth of racial democracy, we dialogue with Bento (2014), Costa (2002) and Nascimento (1978). From the elaboration of this context, an evaluation is made on how power relations occur in the social constitution of the country, where racism presents cycles of continuity, masked by the notion of meritocracy and conquered individual rights. Revealing the circumstances that led the way to the debates on the ESG agenda, an acronym in English that in translation into Portuguese deals with environmental, social and governance pillars, with which companies must be active and committed, we bring Bourdieu (2007), Chauí (1995), Foucault (1990) and Souza (2017). Facing a scenario of major changes and market demands, Gouvêa and Oliveira (2020) and Pestana (2021) address the role of Brazil, a country formed by a black majority and with a slave-owning past that still reflects today, shedding light on the social aspect of ESG, paying attention to the race clipping. From this, we seek to understand how black professionals, already inserted in the formal labor market, perceive the movements that begin to be carried out, adopting the conception of the interview as an enunciative device of Daher, Rocha and Sant'anna (2004), having based on the methodology proposed by Daher (1998). Six black professionals were interviewed, individually and remotely, through the Teams platform, with the analyzes of the interviews carried out from the perspective of discourse analysis, considering the statements presented as links in a chain under constant construction, as suggested by Bakhtin (2020).Taking as a premise the elaboration of a discursive space, proposed by Maingueneau (2015), we bring Diniz et al (2021) and Fanon (2008) to the debate of how these black subjects perceive this proposal of internal diversity, applied to their environments of work. As a result, it was possible to notice that the hiring of black people still occurs at base levels, a fact that adds to a high degree of overload of these professionals, as they are sole representatives in the workspace, which makes this experience, mainly at higher levels, very lonely. The men and women interviewed perceive advances in the agenda, but still slowly, being much raised by demands from the consumer public also on social networks, which are presented as a mechanism for monitoring the actions of companies.
O presente trabalho pretende analisar como profissionais negros e negras, alocados dentro de empresas com políticas declaradas de diversidade, enxergam as práticas adotadas e seus desdobramentos para o público interno (funcionários e funcionárias) e externo (clientes, parceiros e parceiras) como alinhados ou não com o discurso disseminado para o mercado. Partindo de uma conceituação teórica sobre raça e racismo, para compreensão de como essas construções sociais determinaram os papéis ocupados por pessoas negras na sociedade, pautamos o debate a partir das discussões propostas por Almeida (2021), Hall (1992; 2017; 2020), hooks (1989), Kilomba (2020) e Mbembe (2018). Dialogando com Bento (2014), Costa (2002) e Nascimento (1978), buscamos elucidar os desdobramentos históricos, que tem no centro do debate a branquitude e o branco enquanto norma, como os processos de eugenia e o mito da democracia racial. A partir da elaboração desse contexto, é feita uma avaliação sobre como se dão as relações de poder na constituição social do país, onde o racismo apresenta ciclos de continuidade, mascarados pela noção de meritocracia e direitos individuais conquistados. Revelando as circunstâncias que edificaram o caminho até chegarmos aos debates sobre a agenda ESG, sigla em inglês que em tradução para o português trata de pilares ambientas, socias e de governança, com os quais as empresas devem estar atuantes e comprometidas, trazemos Bourdieu (2007), Chauí (1995), Foucault (1990) e Souza (2017). Diante de um cenário de grandes mudanças e cobranças do mercado, Gouvêa e Oliveira (2020) e Pestana (2021) tratam sobre o papel do Brasil, país formado por maioria negra e com um passado escravocrata com reflexos ainda hoje, jogando luz no aspecto social de ESG, atentando para o recorte de raça. A partir disso, buscamos compreender como profissionais negros e negras, já inseridos no mercado formal de trabalho, percebem as movimentações que começam a ser realizadas, adotando a concepção da entrevista enquanto dispositivo enunciativo de Daher, Rocha e Sant’anna (2004), tendo como base a metodologia proposta por Daher (1998). Foram entrevistados seis profissionais negros e negras, de forma individual e remota, através da plataforma Teams, sendo as análises das entrevistas realizadas sob a ótica da análise do discurso, considerando os enunciados apresentados como elos de uma cadeia em constante construção, como sugere Bakhtin (2020). Tomando como premissa a elaboração de um espaço discursivo, proposto por Maingueneau (2015), trazemos Diniz et al (2021) e Fanon (2008) para o debate de como esses sujeitos e sujeitas negras percebem essa proposta de diversidade interna, aplicada a seus ambientes de trabalho. Como resultado, foi possível notar que as contratações de pessoas negras ainda ocorrem em níveis de base, fato que se soma a um alto grau de sobrecarga desses e dessas profissionais, por serem representantes únicos no espaço de trabalho, o que torna essa vivência, principalmente em níveis mais altos, muito solitária. Os entrevistados e entrevistadas percebem avanços na agenda, mas ainda de forma lenta, sendo suscitada por cobranças do público consumidor também nas redes sociais, que se apresentam como um mecanismo de fiscalização das ações das empresas.

Descrição

Citação

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por