O CORPO DE BOMBEIROS COMO FRESTA DE ASCENSÃO NEGRA: MOBILIDADE SOCIAL NO PÓS ABOLIÇÃO CARIOCA

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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA

Resumo

This research examines how the black men's entry into the Rio de Janeiro Fire Department between 1907 and 1911 represented an opportunity for social mobility in the post-abolition period. Based on microhistory and critical analysis of institutional documents - particularly enrollment records and regulatory frameworks -, the study reconstructs individual trajectories that reveal the role of the Fire Department as a place of stability and social protection during a time of intense racial exclusion in the employment market. The 1907 regulation stands out as a turning point by establishing admission criteria, reengagement rules, and support mechanisms in cases of disability assistance, benefits that were essentially unavailable to black workers during the First Brazilian Republic. The research places these experiences within the broader context of urban and sanitary reforms that modernized, but also segregated, the city of Rio de Janeiro while simultaneously reinforcing segregation, inequality and racialized discourses. The results indicate that many recruits entered the institution without prior training or professional qualifications, finding in the Fire Department a "slot" - a narrow but significant opening - able to provide regular compensation, technical training, and opportunities for career progression.
Esta dissertação investiga de que maneira o ingresso de homens negros no Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, entre 1907 e 1911, representou uma possibilidade de mobilidade social no contexto do pós-abolição. Com base na micro-história e na análise crítica de documentos institucionais — especialmente fichas de assentamento e regulamentos — o estudo reconstroi trajetórias individuais que evidenciam o papel da corporação como espaço de estabilidade e proteção social em um período de forte exclusão racial no mercado de trabalho. O regulamento de 1907 constitui marco central ao estabelecer critérios de admissão, regras de reengajamento e mecanismos de amparo em casos de invalidez, benefícios praticamente inexistentes para trabalhadores negros da Primeira República. A pesquisa situa essas experiências no cenário mais amplo das reformas urbanas e sanitárias que modernizaram, mas também segregaram, a cidade do Rio de Janeiro, reforçando desigualdades e discursos racialistas. Os resultados revelam que muitos militares ingressaram sem ofício ou qualificação, encontrando na instituição uma "fresta" capaz de proporcionar remuneração regular, formação técnica e oportunidades de ascensão profissional.

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