AUTOPERCEPÇÃO DE SABERES E PRÁTICAS DE ENSINO APRENDIZAGEM NA FORMAÇÃO DE UM GRUPO DE MÉDICOS PSIQUIATRAS

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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA

Resumo

This research investigates how academic curricula for Medical Residency in Psychiatry, as recommended by the National Medical Residency Commission (CNRM), address racial issues. The research examines the extent to which the practice of psychiatrists and psychiatry students align with the official curricula concerning the health and well-being of Black patients. Additionally, the study analyzed the tools and methodologies offered to these residents during the teaching and learning process regarding ethnic and racial relations. Informed by scholarly production about race, racism, and whiteness and the DCNs of Psychiatry, the study comprised the analysis of answers to an online questionnaire, structured with 14 close and open-ended questions and applied to 83 psychiatrists and students of psychiatry. The collected data was analyzed using descriptive statistics in absolute and relative terms. The results show that despite the official guidelines that identifies the impact of racism on mental health, psychiatrists in training often overlooked the intersection of racism with the problems that led patients to seek psychiatric care. The analysis also points to how residents and psychiatrists disregard ethnic and racial approaches to healthcare and to how racism can act as a trigger of mental disorders. The study concludes by suggesting that the omission of racism in healthcare practices reflects a curricular structure embedded in racist biases and rooted in the privileging of whiteness. By perpetuating the white patient as a universal paradigm in the teaching and learning process, this omission reproduces the erasure, silencing, exclusion and the suffering of Black patients.
Esta pesquisa investiga a maneira como os currículos acadêmicos da Residência Médica em Psiquiatria, preconizados pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), abordam as questões raciais. A pesquisa interessase também em verificar se a prática de médicos psiquiatras e estudantes de psiquiatria refletem aspectos inerentes e necessários à saúde da população negra, conforme consta nos currículos oficiais. Desta forma, analisam-se as ferramentas e metodologias que têm sido oferecidas a estes residentes no processo de ensino-aprendizagem no que diz respeito às relações étnico-raciais. A partir de fundamentação teórica sobre raça, racismo e branquidade e das DCNs da Psiquiatria, analisam-se as respostas a um questionário difundido em formato on-line, estruturado com 14 perguntas com respostas fechadas e abertas, respondido por 83 profissionais médicos psiquiatras ou estudantes de psiquiatria. Os dados foram analisados por estatística descritiva em termos absolutos e relativos. Os resultados obtidos mostram que mesmo diante do atendimento a pessoas negras ao longo de sua formação e do documento oficial norteador para atenção ao impacto do racismo na saúde de pessoas negras, atender a essa camada populacional em um consultório psiquiátrico não implica a investigação do atravessamento do racismo em nenhum dos problemas que levam o paciente a um acompanhamento psiquiátrico. A análise aponta para o fato de que saber-fazer dos residentes e médicos psiquiatras analisados desconsidera a perspectiva étnico-racial para a produção do cuidado e da atenção às pessoas negras e desconsidera, também, a possibilidade de o racismo atuar como propulsor/desencadeador de doenças mentais. Pondera-se que isto seja reflexo de uma matriz curricular racista, ancorada na branquidade, que opera na manutenção da universalização das humanidades, mantendo o homem branco como figura de referência no ensino do cuidado em saúde e, ao agir desta forma, produz apagamento, silenciamento, exclusão e dor nas pessoas negras.

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