ANDARILHA DE SI: O LEGADO NEGRO DE CAROLINA MARIA DE JESUS NOS SAMBAS DE “QUARTO DE DESPEJO”

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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA

Resumo

Carolina Maria de Jesus’ poetic work covers displacements, wanderings and crossings that will compose her writing. Carolina is a wanderer of herself in search of selfawareness that goes beyond a singular narrator to encompass experiences that reflect other black women’s collective experiences and realities. Hence, it is justified to speak of ‘writingsperience’ (EVARISTO, 2007, 2018) when dealing with the work of Carolina Maria de Jesus: the experiences narrated by the author and which constitute the fabric of her poetics dialogue with her own experiences of pain and personal struggle, but also of many other black women. Within this perspective, Carolina transfigures and strengthens herself from her document-album, the album “Quarto de Despejo '', 1960, released by RCA Victor. Carolina is also a songwriter. Understanding samba as a literary-musical discursive genre and a form of literacy, her album represents cultural productions of popular classes, as constituent of the subjectivities of the black population that forged it. In the analyzed sambas, we identified musical narratives that help us to compose Carolina's personal trajectory and poetic perspective to understand how the songwriterauthor elaborates representations of her life in her sambas and that configure brazilian’s society current scenario.
A obra poética de Carolina Maria de Jesus percorre deslocamentos, andanças e travessias que vão compor sua escrita. Carolina é uma andarilha de si em busca de seu autorreconhecimento que vai além de uma narradora singular para abarcar experiências que refletem a vivência coletiva de outras mulheres e realidades negras. Daí se justifica falar em escrevivências (EVARISTO, 2007, 2018) quando lidamos com a obra de Carolina Maria de Jesus: as experiências narradas pela autora e que constituem o tecido de sua poética dialogam com as vivências próprias de dor e luta pessoais, mas também de outras tantas mulheres negras. Dentro dessa perspectiva, Carolina transfigura e potencializa-se a partir de seu disco-documento, o álbum “Quarto de Despejo”, 1960, lançado pela RCA Victor. A andarilha Carolina é também uma cancionista, conceito de TATIT (2012) e utiliza-se do disco como instrumento que potencializa sua voz. Entendendo o samba como um gênero discursivo literomusical e uma forma de letramento, o disco representa as produções culturais das camadas populares, enquanto constituinte das subjetividades da população negra que o forjou. Nos sambas analisados, identificamos narrativas musicais que nos ajudam a compor a trajetória pessoal e a perspectiva poética de Carolina para perceber como a autora-cancionista elabora representações da sua vida em seus sambas e que configuram um cenário atual da sociedade brasileira.

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