JOÃO BATISTA DE LACERDA: “REDUÇÃO ÉTNICA” NA PRIMEIRA REPÚBLICA DO BRASIL (1889-1930)
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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA
Resumo
This work is dedicated to studies on the scientific production of the doctor, scientist, anthropologist and former director of the National Museum, João Batista de Lacerda, mainly his communication presented at the First Universal Congress of Races, held in 1911, in the city of London, that predicted the disappearance of the black race in Brazil, within a hundred years. Lacerda's studies and scientific production serve as a guiding guide for accessing the racialist theories that were in vogue at the time and that were legitimized by republican intellectuals. Lacerda's studies allow, mainly, to investigate the exclusion policy that was developed and that directly affected the black population of the country. João Batista de Lacerda's studies and data were generated from the National Museum's digital collection. The time frame of this historical research comprises the period of the First Republic of Brazil (1889 to 1930); this period marks the beginning of a new government, a new regime and the intention was to modernize the country through an “ethnic reduction”, that is, choosing which citizens (groups) would be part of this new nation, this new state. And in this new and inviting State, according to the proposals of the time, it would have the exclusion of a specific group: the black population. To understand the formulation of this excluding state, the research uses the concept of necropolitics, worked on by cameroonian Achille Mbembe (2018).
Este trabalho se dedica aos estudos sobre a produção científica do médico, cientista, antropólogo e ex-diretor do Museu Nacional, João Batista de Lacerda, principalmente a sua comunicação apresentada no Primeiro Congresso Universal das Raças, realizado em 1911, na cidade de Londres, que previa o desaparecimento da raça negra no Brasil, em um prazo de cem anos. Os estudos e a produção científica de Lacerda servem de guia condutor para acessar as teorias racialistas que estavam em voga na época e que eram legitimados pela intelectualidade republicana. Os estudos de Lacerda permitem, principalmente, investigar a política de exclusão que foi desenvolvida e que afetava diretamente a população negra do país. Os estudos e os dados de João Batista de Lacerda foram gerados do acervo digital do Museu Nacional. O recorte temporal desta pesquisa histórica compreende o período da Primeira República do Brasil (1889 a 1930); período este que marca o início de um novo governo, de um novo regime e que se pretendia modernizar o país através de uma “redução étnica”, ou seja, escolhendo quais cidadãos (grupos) fariam parte dessa nova nação, desse novo Estado. E neste novo e alvissareiro Estado, segundo as propostas da época, teria a exclusão de um grupo específico: a população negra. Para entender a formulação deste Estado excludente, a pesquisa recorre ao conceito de necropolítica, trabalhado pelo camaronês Achille Mbembe (2018).
Este trabalho se dedica aos estudos sobre a produção científica do médico, cientista, antropólogo e ex-diretor do Museu Nacional, João Batista de Lacerda, principalmente a sua comunicação apresentada no Primeiro Congresso Universal das Raças, realizado em 1911, na cidade de Londres, que previa o desaparecimento da raça negra no Brasil, em um prazo de cem anos. Os estudos e a produção científica de Lacerda servem de guia condutor para acessar as teorias racialistas que estavam em voga na época e que eram legitimados pela intelectualidade republicana. Os estudos de Lacerda permitem, principalmente, investigar a política de exclusão que foi desenvolvida e que afetava diretamente a população negra do país. Os estudos e os dados de João Batista de Lacerda foram gerados do acervo digital do Museu Nacional. O recorte temporal desta pesquisa histórica compreende o período da Primeira República do Brasil (1889 a 1930); período este que marca o início de um novo governo, de um novo regime e que se pretendia modernizar o país através de uma “redução étnica”, ou seja, escolhendo quais cidadãos (grupos) fariam parte dessa nova nação, desse novo Estado. E neste novo e alvissareiro Estado, segundo as propostas da época, teria a exclusão de um grupo específico: a população negra. Para entender a formulação deste Estado excludente, a pesquisa recorre ao conceito de necropolítica, trabalhado pelo camaronês Achille Mbembe (2018).
