CAMINHOS E (RE)CONSTRUÇÕES DA CORPOREIDADE NEGRA FEMININA NO ROMANCE ÁGUA DE BARRELA
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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA
Resumo
This paper aims to carry out a literary analysis of the historical novel Água de Barrela by Eliane Alves Cruz, examining how the Black female body, stripped of its rights and humanity within Brazilian society through the processes of enslavement and post-colonization, is traversed and represented by the female characters in the work. To carry out this analysis, among the eleven emblematic characters that move between reality and fiction, those whose bodies were affected by the dialogical relationship marked by the time they lived in, and the symbolism of their bodies violated by racial stigma will be analyzed. Assuming that thinking about the conception of the body is to materialize the individual in the world in its historical, social, and biological construction, it is impossible to separate the polysemic meaning that the term itself carries. Its conception goes beyond biological issues; it is marked by social, cultural, religious beliefs, and family convictions that allow us to understand the structure of society. This social system attributes characteristics to the body that can vary according to the group, class, gender, or race in which it is embedded. Thus, the body is a social concept. The characters in the work not only navigate through this definition but also transcend it through their experiences and knowledge. Therefore, this paper seeks to reflect on how a literary work can be a significant tool in removing these women from counterproductive representations that have tied them to a utilitarian and stereotypical concept related to procreation, erotization, and objectification stemming from the meaning attributed to their bodies. This process destabilizes the hegemonic epistemological canon established in the Brazilian literary scene.
O presente trabalho objetiva realizar uma análise literária do romance histórico Água de Barrela, de Eliane Alves Cruz, relacionando como o corpo negro feminino, destituído de seus direitos e humanidade dentro da sociedade brasileira pelo processo de escravização e pós-colonização, foi atravessado e interpretado pelas personagens femininas da obra. Para realizar este recorte, dentre as onze personagens emblemáticas que transitam entre realidade e ficção, serão analisadas personagens que tiveram os seus corpos afetados pela relação dialógica marcada pelo tempo em que viveram e a simbologia dos seus corpos violados pelo estigma racial. Partindo do pressuposto de que pensar na concepção de corpo é materializar o indivíduo no mundo em sua construção histórica, social e biológica, não há como separar o significado polissêmico que o vocábulo carrega em si mesmo. Sua concepção transpassa questões biológicas; é marcada por crenças sociais, culturais, religiosas e convicções familiares que permitem compreender a estrutura de uma sociedade. Esse sistema social lhe atribui características que podem variar de acordo com o grupo, classe, gênero e raça no qual está inserido; logo, o corpo é uma concepção social. Isto posto, as personagens da obra não só transitam amalgamadas por essa definição, como também as extrapolam por suas vivências e saberes. Dessa forma, esse trabalho visa refletir sobre como uma obra literária pode ser um instrumento preponderante na retirada dessas mulheres de figurações contraproducentes, que as vincularam a um conceito utilitarista e estereotipado, ligado à procriação, à erotização e à objetificação oriundas da significação atribuída aos seus corpos, na medida em que desestabiliza o cânone hegemônico epistemológico estabelecido no cenário literário brasileiro.
O presente trabalho objetiva realizar uma análise literária do romance histórico Água de Barrela, de Eliane Alves Cruz, relacionando como o corpo negro feminino, destituído de seus direitos e humanidade dentro da sociedade brasileira pelo processo de escravização e pós-colonização, foi atravessado e interpretado pelas personagens femininas da obra. Para realizar este recorte, dentre as onze personagens emblemáticas que transitam entre realidade e ficção, serão analisadas personagens que tiveram os seus corpos afetados pela relação dialógica marcada pelo tempo em que viveram e a simbologia dos seus corpos violados pelo estigma racial. Partindo do pressuposto de que pensar na concepção de corpo é materializar o indivíduo no mundo em sua construção histórica, social e biológica, não há como separar o significado polissêmico que o vocábulo carrega em si mesmo. Sua concepção transpassa questões biológicas; é marcada por crenças sociais, culturais, religiosas e convicções familiares que permitem compreender a estrutura de uma sociedade. Esse sistema social lhe atribui características que podem variar de acordo com o grupo, classe, gênero e raça no qual está inserido; logo, o corpo é uma concepção social. Isto posto, as personagens da obra não só transitam amalgamadas por essa definição, como também as extrapolam por suas vivências e saberes. Dessa forma, esse trabalho visa refletir sobre como uma obra literária pode ser um instrumento preponderante na retirada dessas mulheres de figurações contraproducentes, que as vincularam a um conceito utilitarista e estereotipado, ligado à procriação, à erotização e à objetificação oriundas da significação atribuída aos seus corpos, na medida em que desestabiliza o cânone hegemônico epistemológico estabelecido no cenário literário brasileiro.
